quinta-feira, 18 de setembro de 2014

NATURALIZAR-SE? NATURALMENTE!

postado em 26/01/2011

http://dieguittho.blogspot.com.br/2011/01/naturalizar-se-naturalmente.html



Férenc Puskas e Deco: exemplos clássicos de naturalizados




Hoje em dia no futebol é bastante difícil aquele sentimento de amor à camisa que se veste. Tampouco o patriotismo é colocado em primeiro lugar. Na atualidade o que vale mais é o poderio financeiro ou a oportunidade de ter reconhecimento internacional. É a tal globalização.

Falo isso porque acabei de ler uma reportagem sobre um goleiro brasileiro que se naturalizou vietnamita para poder atuar pela seleção nacional. Com todo o respeito ao Vietnã, mas deve ter havido uma assombrosa compensação para que a escolha por atuar como “natural” do país asiático. Entretanto não tiro a razão desses jogadores, que no mundo do futebol atual se vêem quase que obrigados a aceitarem os convites das federações onde atuam no momento.

O caso a que me refiro é o do goleiro brasileiro Fábio dos Santos, do Dong Tam Long An, clube da primeira divisão que o arqueiro defendeu nos últimos cinco anos. No Brasil, Fábio atuou por times de pequena expressão. Assim, ele entra para a história como o primeiro estrangeiro a obter cidadania vietnamita. Por lá atuam mais de 100 jogadores de outros países, em sua maioria africanos e tailandeses, divididos nos 14 clubes da V-League.

O fenômeno das naturalizações não é coisa recente, nos anos 50 e 60 vários atletas trocaram de país, nos quais os mais famosos foram os húngaros Ladislao Kubala e Férenc Puskas (o primeiro chegou a atuar em três seleções – Hungria, Tchecoslováquia e Espanha), o argentino Di Stéfano (que também atuou por 3 seleções – Argentina, Colômbia e Espanha), o brasileiro Altafini “Mazzola”, o argentino Raimondo Orsi, o uruguaio Alcides Gigghia, entre outros. Alguns possuíam realmente descendência em outros países como Itália e Espanha, mas a maioria se juntava às suas “novas pátrias” motivados por dinheiro ou status. Entretanto os jogadores citados já haviam atuado por suas nações de origem antes de vestirem outros uniformes nacionais.

Poucos dias antes do início da Copa de 1962, realizada no Chile, a FIFA decidiu proibir as naturalizações de jogadores que já haviam atuado por uma seleção anteriormente. Essa resolução entraria em vigor a partir do Mundial de 1966, que seria realizado na Inglaterra, para evitar as intensas trocas de seleções entre uma Copa e outra, o que poderia descaracterizar totalmente uma equipe em um curto espaço de tempo. E eles tinham razão: quem é mais conhecido, o húngaro ou o espanhol Puskas? O uruguaio ou o italiano Gigghia? E assim por diante.

Em dias recentes as naturalizações têm crescido enormemente, mais especificamente no Brasil. Os casos mais conhecidos são o do moçambicano Eusébio, que brilhou por Portugal em 1966; os dos brasileiros Alexandre Guimarães, que jogou pela Costa Rica em 1990, Deco, que atuou por Portugal em 2006, Alex Santos, que participou da Copa de 2006 pelo Japão, assim como Wagner Lopes, que defendeu a seleção nipônica em 2002, Marcos Senna, naturalizado espanhol para defender a Fúria no Mundial da Alemanha, e Zinha, meia que esteve com o México também em terras germânicas; o nigeriano Emanuel Olisadebe, que entrou em campo pela seleção polonesa em 2002, o ganês Gerald Asamoah, que envergou as cores alemãs em 2006; e o argentino Mauro Camoranesi, que foi campeão do mundo com a Itália.

Há aqueles jogadores que prefiriram atuar em uma seleção de qualidade obscura, mas que disputasse algum torneio internacional, a ter que ser mais um simples coadjuvante no futebol de seu país, como são os casos dos brasileiros Aguinaldo Braga (zagueiro - Macedônia), o já citado Fábio Santos (goleiro - Vietnã), Martin Ferreira (zagueiro - Ilhas Färoe), Francileudo dos Santos (atacante - Tunísia) e Egmar Gonçalves (atacante – Cingapura). Também existem atletas que não exitaram em trocar seus países – com pouca tradição no futebol – por seleções mais renomadas, como são os casos do ganês Marcel Desailly, do neo-caledonês Christian Karembeu, do congolês Cláude Makélélé, do basco Bixente Lizarazu, do senegalês Patrick Viera (todos se naturalizaram franceses), do canadense Owen Hargreaves (Inglaterra), do bósnio Zlatan Ibrahimovic (Suécia), entre muitos outros.

Se fosse citar todos os jogadores que já trocaram de lar, certamente não haveria espaço no blog para a publicação. Com a tal da globalização ficou muito mais fácil o intercâmbio de jogadores mundo a fora, o que muito motivou à ocorrência desse fenômeno.



Foto 1: Federação Húngara de Futebol
Foto 2: Abalonpodo2.com




http://futebolhistoria.blogspot.com/2007/12/naturalizar-se-naturalmente.html

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