terça-feira, 29 de novembro de 2016

Não é "só" futebol!

Palmeiras x Chapecoense - Allianz Parque - 27/11/2016

É, amigos... que tragédia! que tragédia!

Na imagem, vemos o momento em que os jogadores de Palmeiras e Chapecoense estavam perfilados, para a execução do Hino Nacional momentos antes do jogo de anteontem, domingo, pela penúltima rodada do Campeonato Brasileiro.

Eu, como bom palmeirense que sou, aguardei ansiosamente por esse jogo, imaginando que seria o jogo da vida do meu time. Mas na verdade nem eu nem ninguém poderia imaginar que se tratava do jogo da vida desses caras... O último jogo deles...

Depois de 22 anos, saímos da fila num jogo duro contra a Chape, numa vitória apertada por um a zero. Eu, como outros milhões de palmeirenses, comemorei com força esse título mas, cara... Posso afirmar sem sombra alguma de dúvida, que eu trocaria esse título pela alegria de ter de volta essas mais de 70 vidas que se foram hoje.



Hoje eu chorei. Algumas vezes, inclusive. Chorei não só pelas vidas que perdemos, e pela tragédia que aconteceu. Chorei porque, mesmo sem conhecer nenhuma das vítimas pessoalmente, tinha um respeito e uma admiração muito grande por aqueles homens, e pelo que eles haviam alcançado. É como se eles todos fossem próximos a mim e que, assim, de uma hora pra outra, partiram.
Chorei porque, como um amante incondicional do esporte, vi o mundo de uma forma mais cinzenta hoje. Hoje o mundo não tem mais cor, nem a mesma alegia, e nem mesmo existe aquela felicidade de ontem.

Hoje há centenas de amigos e familiares chorando a partida precoce de seus filhos, maridos, pais, irmãos, tios, sobrinhos... Aproveito inclusive pra prestar aqui os meus sinceros sentimentos às famílias e amigos.
Hoje também há a dor de milhões de torcedores não só da Chape, mas do futebol como um todo. Hoje há ainda a dor de bilhões de amantes do esporte que, assim como eu, sentem a dor desta perda.


Tem muitos que falam que "é só futebol". Futebol nunca é "só" futebol! JAMAIS!
Eles, os caras que vivem disso, vivem por isso e hoje alguns morreram por isso. Pelo país a fora temos milhões de torcedores que vivem por isso também. Que respiram o futebol.


Hoje eu chorei, e tenho certeza que não fui o único. Tenho certeza que muitos também sentiram a mesma dor, o mesmo vazio que eu.
Nós choramos hoje! O mundo chora hoje. E não choramos pelo futebol, choramos pelo sentimento que temos pelo futebol!
Porquê o futebol não é "só" futebol!
Futebol é paixão!
Futebol é amor... Mto mais do q "só" futebol!


#Luto!
Descansem em paz, #heróis

terça-feira, 10 de maio de 2016

O bar nosso de cada dia

Você conhece o Bar Valadares?

Sei que neste blog o assunto principal é quase sempre futebol, mas hoje a conversa é diferente.
Quero contar um pouquinho da minha vida através de um certo bar.

Esses dias, vi na TV uma matéria de um casal que se conheceu num bar, e este bar teve uma enorme participação na história deles. Se reuniram lá por diversas vezes, seja pra encontrar os amigos, ou mesmo a sós, pra conversar, namorar e tal.
No fim das contas, acabaram por escolher o bar como local do casamento. Fecharam o bar, montaram uma mesa do bolo no meio do lugar, e casaram ali. Economizaram uma grana, e fizeram algo criativo e divertido.

Legal? Sei lá, cada um tem seu gosto...
Ao assistir esta matéria, eu fiquei pensando: "Sério que um simples bar pode ser tão importante assim pra alguém!?"
Daí me dei conta que sim! Claro que sim! E eu também tenho um bar que é importante pra mim!!
Até eu, que não costumo ir muito à barzinhos e que, por diversas e diversas vezes na vida, passei 6, 7, 8 meses, ou até um ano sem entrar em um bar... Até eu, tenho o meu bar!!

Acho que todos nós temos o nosso bar! (e não, isso não é história de algum grupo do Alcoólicos Anônimos, muito menos uma letra de música do Reginaldo Rossi, rei dos bares).
Quando se fala de bar, cada um tem as suas preferências na hora de justificar seu bar favorito.

"Opções para um happy hour não faltam. Um bom exemplo é o Bar Valadares,
em que o seu público fiel, entre uma caipirinha e alguns petiscos
variados, desfruta de um ar intimista com os próprios donos".
Tibério.com.br, sobre Roteiros gastronômicos da Vila Romana (Vulgo LAPA).
Pra mim, o Valadares é o meu bar favorito! Eu não o escolhi, nem tão pouco ele me escolheu. foi uma escolha mútua, guiada pela vida.
Tenho que confessar que frequento este bar desde criança, quando tinha meus 7 ou 8 anos, mas já vou logo me explicando:
Minha mãe frequentava muito este bar, numa época em que moramos na rua Clélia, a 2 quadras do Valadares. Ela tinha por hábito sair do serviço, e ir ao Valadares com os amigos do trabalho, ou com algum namorado que por ventura estivesse dando sopa por aí, mas nunca sem antes passar em casa pra me buscar pra ir ao Valadares comer uma batata frita, e tomar uma Coca-cola.

Desde que eu me entendo por gente, o garçom do Valadares era o William (ou Careca), falecido em 2015.
Olha os Mini-craques aí!!
Nesta época da infância, ele foi meu grande amigo, grande responsável por me ajudar a acumular tampinhas de garrafas de coca-cola, pra depois trocar pelos diversos brindes das promoções da Coca (tradicional nos anos 90) como por exemplo os minicraques da copa de 98, que são um clássico até hoje.
Eu tomava uma ou duas Coca's, e saía do Valadares com 10, 20 tampinhas... =D



Depois de alguns bons anos, já adulto, retornei ao Valadares, e fui - como sempre - atendido pelo William que pra minha grata surpresa, se lembrou de mim, e ficamos por ali conversando por algumas horas, relembrando histórias daquele tempo, como o dia em que um cara chegou ao Valadares com um Mustang e eu, criança como era, fui lá mexer com o cara, e perguntar se poderia olhar o carro. Olhar, no sentido inocente da palavra: Eu queria entrar no carro, mexer no volante, brincar de dirigir... queria ser criança.
O dono do Mustang, como é de se compreender, achou que eu queria uns trocados e enfiou a mão no bolso! Minha mãe (sempre encrenqueira) chegou bem nessa hora, pegou o bonde andando, e decidiu armar um barraco com o cara, porque se sentiu ofendida com a situação (ou parte da situação, por ela interpretada).
Resumindo: O cara nem sentou na mesa. Ouviu poucas e boas de uma desconhecida louca e neurótica, entrou em seu Mustang azul conversível e foi embora.
William, o nobre garçom da Valadares, em
 seu recanto histórico: O Valadares
No dia, essa situação foi bem tensa, ainda mais pra uma criança de não mais que 10 anos (eu devia ter uns 7 ou 8). Mas hoje, essa história é muito engraçada de se contar, e foi motivo de boas gargalhadas junto ao William, que se lembrava desta história até com mais detalhes do que eu.

Acabei me condicionando a, sempre que podia, dar uma passada pelo bar arrastando alguns amigos pra tomar um chopp, comer um daqueles maravilhosos palmitos à milanesa ou então uma porção do provolone à milanesa e, obviamente, dar um abraço no meu amigo William. Pelo menos umas 2x por ano eu aparecia por lá...
Certa vez fui com uns amigos no Snooker que há em frente ao Valadares, e acabei atravessando a rua, largando meus amigos, e indo ao Valadares só pra dar um abraço naquele sujeito, e tomar uma cerveja, que acabou virando umas 3 ou 4. Grande sujeito, esse William. Conseguiu transformar um bar comum do bairro da Lapa num bar que tem muito mais do que boas porções, chopp gelado e gente bonita: Transformou o Valadares em um bar com história. Um bar com alma!

Hoje este grande amigo não está mais lá, e confesso que desde então nunca mais fui ao bar, porém simplesmente por falta de oportunidade, que não demorará a ser criada (mesmo que na marra).

Esta é a história de um bar que, pra muitos pode ser só mais um bar, mas pra mim, é o melhor bar do mundo! É o meu bar!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O El Dorado: Nascidos da revolta



Por Luís Felipe dos Santos, em 13/01/2016
https://impedimento.wordpress.com/2010/01/13/o-el-dorado-parte-1-nascidos-da-revolta/ (Não achei a 'parte dois, no site)


Imaginem os jogadores de futebol mais bem pagos do mundo. Um lugar para onde as maiores estrelas da América do Sul fogem correndo, para ganhar somas de dinheiro jamais pensadas em seus países locais. Um país onde o limite de estrangeiros não existe, cujos times são convidados a excursionar pelo mundo inteiro para encantar multidões com o futebol bailarino. Esse país não é a Itália nem a Espanha dos tempos atuais: é a Colômbia dos anos 50.
A Divisão Maior do futebol colombiano, que levou para Bogotá astros como Di Stéfano e Pedernera – os dois maiores jogadores da Argentina na sua época –  é uma das coisas mais mal explicadas da história do futebol mundial. Como poderia um país que nunca teve uma economia pujante no cenário mundial fazer o melhor campeonato do mundo? A explicação passa por uma época na qual o futebol ainda não tinha 20 anos de profissionalismo nas maiores ligas mundiais, e uma entidade máxima como a Fifa não tinha nem 10% do poder de hoje em dia. Hoje, a Fifa interfere e/ou faz recomendações nos mais comezinhos aspectos das ligas regionais – no início dos anos 50, as notícias chegavam de carta e geralmente de navio, o que permitia distorções como as ocorridas a partir da intervenção de Alfonso Senior, presidente do Millionarios de Bogotá.
No final dos anos 40 uma das tantas mobilizações dos jogadores argentinos reivindicava salários compatíveis com o que os clubes ganhavam, nas bilheterias e transferências. A Argentina já tinha uma liga profissional, mas os vencimentos dos atletas ainda tinham valores pouco mais que amadores. O River Plate daquela época tinha o melhor time do continente – talvez, o melhor do mundo – com a máquina de Labruna, Loustau, Moreno e Reyes, além do próprio Di Stéfano. Era a segunda versão de um grande time que também teve Pedernera, e era chamado pela imprensa de “A Elétrica”. O presidente era Antonio Vespúcio Liberti – o atual nome do Monumental de Nuñez – que no verão de 1949 desdenha do sindicato criado pela “Flecha Loira” e por Nestor Rossi, os “Futebolistas Argentinos Agremiados”. As exigências de melhores salários vão para o fundo da gaveta do seu escritório. O campeonato fica esvaziado pela greve dos melhores jogadores e muitos dos clubes acabam contratando jogadores na lavanderia, no mercado, no açougue e na estiva do porto para completar seus times.
Alfonso Senior vê nisso uma valiosa oportunidade. A sua ideia é implantar o futebol profissional na Colômbia. Para isso, toma conta do Millonarios, um time que não tinha um clube. Não passava de uma agremiação de jogadores que não tinha nenhuma sede e era composta por estudantes e recém bacharéis da universidade local, jogando verão sim, verão não no campeonato local. Senior, empresário, vê as multidões que são levadas a cada domingo para ver o esporte e decide ganhar dinheiro com isso. Ao lado do comerciante Mauro Mórtola, nascido no Equador, chama os dirigentes dos principais clubes da época e assina com eles uma carta direcionada à Adefútbol, em 1948, dizendo que a federação é atrasada e eles vão criar um organismo próprio para dirigir o futebol. Nasce a Divisão Maior.
No dia seguinte, a sua secretária deve ter recebido um telegrama de boas vindas da Fifa, com as regras necessárias para filiar-se à entidade. Além de ter um regulamento que respeite as 17 do International Board, era preciso respeitar as diretrizes mundiais de transferências, estrangeiros e afins. Senior só lê a primeira parte, a que interessa ao público – a segunda, uma vez ignorada, rende mais dinheiro. O presidente do Millonarios tem a grande ideia de que não precisa pagar passes aos clubes: basta oferecer os melhores salários aos jogadores e uma passagem de avião só de ida. Essa história de limite de estrangeiros também é bobagem – joga quem quiser, quantos quiserem, que a globalização seja bem vinda aos campos cafeteros. Logo se espalha como um vírus o “El Dorado” colombiano, especialmente na Argentina, onde ninguém ganha dinheiro para vestir chuteiras. Um lugar onde não só se é bem pago como se é o jogador mais bem pago do mundo torna-se extremamente atraente.
A questão toda é que pegou mal. Muito mal. Se hoje o fato de oferecer uma ótima proposta salarial para um jogador passando por cima do clube já é considerado uma ofensa, imaginem naquela época, muito menos profissional. A agressividade do dinheiro fez com que o futebol colombiano fosse considerado antipático por todas as federações do continente americano, indignadas com a perda de seus melhores atletas. Especialmente as mais empobrecidas, como a argentina e a peruana.
A questão ética tomou conta das reuniões da então incipiente Conmebol. Os queixumes dos presidentes das federações eram maioria sobre a irracionalidade de um torneio que não tinha qualquer compromisso com o desenvolvimento do futebol nacional, correspondia apenas a ganhar dinheiro e dar espetáculo (qualquer semelhança com o futebol espanhol não é mera coincidência). Sendo assim, foi criado um Pacto, chamado Pacto de Lima, em 1951: a farra tinha dois anos para acabar. Depois desses dois anos, os jogadores contratados sem pagamento de passe teriam de ser devolvidos aos seus clubes.
Alfredo Senior resmungou, mas deu de ombros. Começou a fazer excursões por todo o mundo para render o máximo que podia com o seu Millonarios. Ao fim da história, simplesmente vendeu os grandes jogadores, como Di Stéfano, envolvido numa complicada trama que lhe tirou do Barcelona e colocou no Real Madrid. O sonho do El Dorado havia se acabado.
Este texto foi publicado no blog Impedimento.wordpress.com, por Luís Felipe dos Santos, que prometera uma continuação não publicada (ou não encontrada por este que vos escreve)...

De qualquer forma, a continuação provavelmente contaria a história da transferência de Di Stefano para o Barcelona Real Madrid, time no qual aconteceu a parceria mais emblemática de todos os tempos, entre Di Stefano e Puskas...
Esta história, eu já havia contado neste blog, e você pode ler aqui.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Feedback

Estou eu, navegando pela internet, lendo coisas que não tem nada haver com o conteúdo desde blog, quando de repente me deparo com um parágrafo que, ao ser analisado, tem muito a me ensinar...

(...)
"Até eu, acredite se quiser, já segui os ensinamentos de Darwin e me adaptei um pouco à superficialidade exigida pela maioria dos frutos do nosso tempo. Ou você acha que um texto de três páginas e sem figuras é capaz de vencer tutoriais que ensinam, em poucos passos e minutos, como fazer a maquiagem que a Bruna Marquezine usou no Faustão?
Ou você acha que eu, enquanto o mundo está se adaptando à falta de foco da galera, devo começar a postar coisas que exigem extrema atenção e impossíveis de serem absorvidas por criaturas que, na maioria das vezes, comunicam-se apenas através de amojins e palavras amputadas ("vc", blz", "SQN")? "

Apendi bastante com isso...
Feed Back que vou levar comigo...
Agora entendo porquê numa discussão de futebol, por exemplo, escrevo textos com embasamento e conteúdo, e a galera me responde com "kkk, pod crer" rss
A culpa é minha, de não prever e prevenir a falta de foco geral...


Frase de um texto do Ricardo Coiro, pro site Casal Sem Vergonha
http://www.casalsemvergonha.com.br/2015/06/24/um-amor-com-conteudo-por-favor/