Sei que neste blog o assunto principal é
Quero contar um pouquinho da minha vida através de um certo bar.
Esses dias, vi na TV uma matéria de um casal que se conheceu num bar, e este bar teve uma enorme participação na história deles. Se reuniram lá por diversas vezes, seja pra encontrar os amigos, ou mesmo a sós, pra conversar, namorar e tal.
No fim das contas, acabaram por escolher o bar como local do casamento. Fecharam o bar, montaram uma mesa do bolo no meio do lugar, e casaram ali. Economizaram uma grana, e fizeram algo criativo e divertido.
Legal? Sei lá, cada um tem seu gosto...
Ao assistir esta matéria, eu fiquei pensando: "Sério que um simples bar pode ser tão importante assim pra alguém!?"
Daí me dei conta que sim! Claro que sim! E eu também tenho um bar que é importante pra mim!!
Até eu, que não costumo ir muito à barzinhos e que, por diversas e diversas vezes na vida, passei 6, 7, 8 meses, ou até um ano sem entrar em um bar... Até eu, tenho o meu bar!!
Acho que todos nós temos o nosso bar! (e não, isso não é história de algum grupo do Alcoólicos Anônimos, muito menos uma letra de música do Reginaldo Rossi, rei dos bares).
Quando se fala de bar, cada um tem as suas preferências na hora de justificar seu bar favorito.
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| "Opções para um happy hour não faltam. Um bom exemplo é o Bar Valadares, em que o seu público fiel, entre uma caipirinha e alguns petiscos variados, desfruta de um ar intimista com os próprios donos". Tibério.com.br, sobre Roteiros gastronômicos da Vila Romana |
Tenho que confessar que frequento este bar desde criança, quando tinha meus 7 ou 8 anos, mas já vou logo me explicando:
Minha mãe frequentava muito este bar, numa época em que moramos na rua Clélia, a 2 quadras do Valadares. Ela tinha por hábito sair do serviço, e ir ao Valadares com os amigos do trabalho, ou com algum namorado que por ventura estivesse dando sopa por aí, mas nunca sem antes passar em casa pra me buscar pra ir ao Valadares comer uma batata frita, e tomar uma Coca-cola.
Desde que eu me entendo por gente, o garçom do Valadares era o William (ou Careca), falecido em 2015.
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| Olha os Mini-craques aí!! |
Eu tomava uma ou duas Coca's, e saía do Valadares com 10, 20 tampinhas... =D
Depois de alguns bons anos, já adulto, retornei ao Valadares, e fui - como sempre - atendido pelo William que pra minha grata surpresa, se lembrou de mim, e ficamos por ali conversando por algumas horas, relembrando histórias daquele tempo, como o dia em que um cara chegou ao Valadares com um Mustang e eu, criança como era, fui lá mexer com o cara, e perguntar se poderia olhar o carro. Olhar, no sentido inocente da palavra: Eu queria entrar no carro, mexer no volante, brincar de dirigir... queria ser criança.
O dono do Mustang, como é de se compreender, achou que eu queria uns trocados e enfiou a mão no bolso! Minha mãe (sempre encrenqueira) chegou bem nessa hora, pegou o bonde andando, e decidiu armar um barraco com o cara, porque se sentiu ofendida com a situação (ou parte da situação, por ela interpretada).
Resumindo: O cara nem sentou na mesa. Ouviu poucas e boas de uma desconhecida louca e neurótica, entrou em seu Mustang azul conversível e foi embora.
| William, o nobre garçom da Valadares, em seu recanto histórico: O Valadares |
Acabei me condicionando a, sempre que podia, dar uma passada pelo bar arrastando alguns amigos pra tomar um chopp, comer um daqueles maravilhosos palmitos à milanesa ou então uma porção do provolone à milanesa e, obviamente, dar um abraço no meu amigo William. Pelo menos umas 2x por ano eu aparecia por lá...
Certa vez fui com uns amigos no Snooker que há em frente ao Valadares, e acabei atravessando a rua, largando meus amigos, e indo ao Valadares só pra dar um abraço naquele sujeito, e tomar uma cerveja, que acabou virando umas 3 ou 4. Grande sujeito, esse William. Conseguiu transformar um bar comum do bairro da Lapa num bar que tem muito mais do que boas porções, chopp gelado e gente bonita: Transformou o Valadares em um bar com história. Um bar com alma!
Hoje este grande amigo não está mais lá, e confesso que desde então nunca mais fui ao bar, porém simplesmente por falta de oportunidade, que não demorará a ser criada (mesmo que na marra).
Esta é a história de um bar que, pra muitos pode ser só mais um bar, mas pra mim, é o melhor bar do mundo! É o meu bar!


Ola! Vc me encheu de saudade! Conheço o Valla desde 1991, fiz muitos amigos por lá e uma grande amizade com Lia, que namorava um amigo na ocasião e que, como William, também nos deixou há 4 anos. Fico muito triste de saber sobre ele, pessoa muito querida. Muitas historias no Valadares, muitas risadas, crianças que vi crescer ali, entre as mesas, nos sábados à tarde. Nooossa, quanta saudade! Hummm, e as empadinhas ? Só lá eu encararia comer rã! Obrigada!
ResponderExcluirMuito saudoso, né Vera Lúcia?
ResponderExcluirTalvez nós dois possamos já ter nos encontrado em algum sábado à tarde, lá no Valla!
Grandes lembranças são assim: Gostosas de se recordar!
#recordarÉviver